Banco tradicional × assessoria de investimentos: quem escolhe o produto
No banco tradicional, a instituição que o atende só oferece os produtos que ela própria emite ou distribui: é o que o mercado chama de prateleira fechada. Não é ilegal nem escandaloso. É o modelo. O efeito prático é que a resposta a qualquer pergunta sua já está limitada ao catálogo da casa. Na assessoria, com plataforma aberta, é o oposto: a plataforma distribui emitentes e gestores diversos, e a conversa começa pelo seu problema, não pelo stock. Eu trabalho como assessor vinculado à GWM, escritório credenciado do BTG Pactual, e a plataforma do BTG opera neste modelo. Isso alarga o leque de opções, mas não elimina o conflito de interesses, e é por isso que o ponto seguinte existe.
O questionário de perfil não é burocracia: é o filtro
Suitability é a análise de adequação exigida pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários, o regulador do mercado brasileiro): cruzar o produto com o seu perfil, o seu conhecimento e a sua situação financeira. Na prática, é o que impede que um produto complexo entre numa carteira que não o deveria comportar. O questionário é o mínimo legal; a conversa é o que faz o trabalho de verdade. O perfil não é uma etiqueta permanente: muda quando a empresa fica mais alavancada, quando entra um sócio, quando o filho vai estudar para o estrangeiro. Se o seu perfil foi definido uma vez e nunca mais revisto, está desatualizado.
Alocação por objetivo e prazo, não por produto
Não começo por perguntar se prefere renda fixa ou renda variável. Começo por separar o dinheiro por função e por prazo: caixa da operação, reserva pessoal, capital de médio prazo, património de longo prazo, dinheiro que vai passar a herança. Cada balde tem um prazo, e o prazo é que determina o risco tolerável, não o seu estômago. Só depois disso surgem os instrumentos: título público ou CDB com liquidez para o que tem de estar disponível; crédito privado, fundos, ETFs, ações e alocação internacional para o que pode ficar parado durante anos. A escolha específica depende do diagnóstico. Não existe carteira boa em abstrato.
Onde fica o dinheiro e como a carteira é ajustada
Ponto que costuma esclarecer dúvidas logo: o dinheiro não passa por mim. Os recursos ficam à guarda do BTG Pactual, numa conta no seu CPF (número de contribuinte brasileiro) ou no CNPJ (o equivalente para empresas) da empresa. Vê tudo na aplicação, assina as ordens, e a conta é sua: terminar a relação comigo ou transferir a custódia é uma decisão exclusivamente sua, a qualquer momento. Isto é diferente da liquidez de cada ativo, que segue as regras do produto. Eu assessoro: explico, proponho e transmito ao BTG apenas as ordens que autorizar. A execução e a custódia são do BTG. Não tenho procuração para decidir sozinho e não quero. O rebalanceamento é a manutenção disto: rever a intervalos definidos e trazer a carteira de volta à alocação que escolheu, vendendo o que subiu demasiado e comprando o que ficou para trás. É desconfortável de propósito, e é o que impede a carteira de se tornar outra coisa sem que dê por isso.